Ao longo desta semana vivemos uma experiência verdadeiramente marcante.
Na escola recebemos três professores vindos da ilha do Príncipe, e aquilo que inicialmente nos pareceu um desafio numa altura pouco conveniente revelou-se numa oportunidade única de crescimento, partilha e reflexão.
Quando recebemos o convite, pensamos imediatamente que não poderia ter surgido numa semana mais exigente. A rotina escolar já estava delineada e os dias bastante preenchidos com os desafios próprios do quotidiano escolar. No entanto, rapidamente percebemos que talvez fosse precisamente esse o maior valor desta experiência: mostrar a escola como ela é, na sua autenticidade, com os seus momentos mais organizados e formais e também com as suas imperfeições e adaptações de última hora.
Procuramos, dentro do possível, adaptar as atividades que tínhamos planeado, tentando encontrar um equilíbrio entre os recursos digitais disponíveis e a criação de materiais simples, acessíveis e facilmente replicáveis em diferentes contextos. Mostrar a liberdade do professor em gerir a sua sala de aula privilegiando a comunicação, a autonomia, a articulação curricular e a integração sem descuidar as aprendizagens essenciais e os conteúdos programáticos foi um exercício exigente, mas profundamente enriquecedor, que me fez repensar práticas e valorizar o essencial.
Ao falar com os professores que nos visitaram, há algo que se tornou ainda mais evidente: as crianças são iguais em qualquer parte do mundo. A curiosidade, a espontaneidade, a vontade de aprender e de se relacionar ultrapassam qualquer fronteira. No início, inquietou-nos a ideia de ter tantos recursos ao nosso dispor, quase como um privilégio difícil de justificar. Mas, com o tempo e a reflexão, compreendemos que cada realidade tem o seu caminho, as suas possibilidades e os seus desafios.
Mais do que comparar contextos, esta experiência ensinou-nos sobre encontro, empatia e partilha. Cada um de nós percorre o seu próprio percurso, vive a sua vida, seja qual for a parte do planeta, mas, ao cruzarmo-nos, temos a oportunidade de fazer a diferença na caminhada do outro. E foi exatamente isso que aconteceu. Contagiar a continuidade de gostar de Ser Professor... dum lado e do outro...
Levamos desta semana não só aprendizagens pedagógicas, mas também humanas. Um reforço daquilo que acreditamos enquanto professoras: que ensinar é, acima de tudo, uma ligação entre pessoas, uma construção conjunta e de crescimento mútuo.
Uma comunidade de aprendizagem constrói-se com pessoas... com todas as pessoas e a relação professor / aluno é a base... por mais materiais que existam, em qualquer parte do mundo, nada substitui um bom professor.
Agradecemos ao departamento de educação da CMO por esta oportunidade, ao nosso diretor pelo desafio e aos nossos alunos pela capacidade de acolher, amar e sorrir.

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